sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

CENAS DA VIDA

 O pingo que pinga 

Da pinga pingada pro Santo 

O pingo de lágrima que pinga 

É pingo de pranto 

O pingo de pinga no chão 

Mistura c'os pingos

Pingados da pingueira 

Que molha também o colchão


O pingo de pinga na mente 

Do pobre pinguço 

Da vida descrente 

O pingo de chuva 

Não pinga na telha 

É rancho ou tapera 

De palhas coberta

De palhas de arroz ou sapê 

Coberta de palha

É parede de barro

De palha é o cigarro 

Que vai acender 


Acende cigarro 

E tira um trago

Tentando um afago

No ego ferido 

Engole o lamento 

Engole a seco 

Mastiga o pão seco 

Do pouco que tinha 

Não tem margarina 

Não tem mortadela 

Nem mesmo sardinha 

Domingo à tardinha 

Comeu com farinha 

A última que tinha


Depois do café 

Da vida sem fé 

Segue pro roçado 

Mas sempre paciente 

Nunca revoltado 

O pobre coitado 

Vai tocando em frente 

À tarde retorna

Bastante cansado 

Da dura labuta 

Do cotidiano 

Entra ano e sai ano

Sempre repetidas 

Tais cenas da vida.

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