quinta-feira, 27 de outubro de 2011

MEMORIAL DE MARIA MOURA

Analise do Livro de Rachel de Queiroz (por Cezário)

INTRODUÇÃO
Um do s temas muitas vezes abordado por Rachel de Queiroz, era a questão da terra, pois para ela a terra, sempre foi um mistério importante, mesmo nós sabendo que a vida é transitória, sempre se sonha com um pedaço de chão, onde construirmos o nosso cantinho, para vivermos. Kàuerôítios termos um território provedor, onde nos vinculemos, criemos Dossa família, construamos nossa base, nossa raiz.

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cronológico, em meados de 1850, mais ou menos na segunda metade do período imperial coincidindo também com o fim do tráfico de escravos, por pressão da Inglaterra, que estava interessada em compradores para seus produtos manufaturados, os escravos não assalariados, não consumiriam estes produtos, acreditavam que uma mão de obra assalariada iria ampliar seu mercado consumidor. E também a criação da chamada Lei da Terra, que definia que a terra devoluta seria adquirida mediante o pagamento de certa quantia ao Estado, dinheiro esse que seria utilizado para investir na imigração de colonos europeus, para trabalhar na lavoura. Antes, no início da colonização, as terras foram doadas em grandes extensões a particulares, denominadas sesmarias, que unida a um rentável tráfico de escravos, e assim a nossa colonização formou-se com base no latifúndio.
Assim com base em nossas raízes históricas, quando o país tinha uma economia totalmente agrícola, fundamentada no latifúndio e a mão-de-obra escravagista, seguindo após a Leia Áurea substituída por colonos que se emigraram da Europa, sendo não mais escrava mas, mão-de-obra barata, o que veio agravar ainda mais esta opressão com a industrialização da economia brasileira, que também defendia a produção de produtos em larga escala, favorecendo o latifúndio.
Mas sabemos que a disputa pela posse da terra existe provavelmente, desde o surgimento do homem na face da terra, pois mesmo antes de aprender a cultivá-la, sobrevivendo da coleta, caça e pesca, sem nenhuma intervenção humana, já se disputava o espaço de coletas de frutas e da caça.
Também na bíblia a posse da terra é símbolo de poder, pois para os judeus o bem maior era a bênção de Deus e esta bênção nos principais fatos bíblicos eram representadas pela posse da terra, a formação do povo hebreu, através de Abraão, foi marcada pela primeira aliança onde Deus lhe entrega a posse das terras a seguir descritas na bíblia: "Naquele mesmo dia fez o Senhor um concerto com Abraão, dizendo: À tua semente tenho dado

esta terra, desde o rio Egito até ao grande rio Euf rates; e o queneu, e o quenezeu, e o cadmoneu, e o heteu, e o fereseu, e os refains, e o amorreu, e o cananeu, e o girgaseu, e o jebuseu. (Gên 15,18-21)."
Ainda podemos relacionar o poder como presença de Deus junto do povo, quando Deus estava com eles desfrutava da terra, quando Deus se afastava por causa do pecado, eles perdiam a terra e tornavam se cativos de outros povos, como viveram como cativeiros no Egito e na Babilônia.
Na ficção de Rachel de Queiroz, Maria Moura revolucionou a realidade nordestina, uma mulher que pela força das armas conquistou a posse da terra.
A protagonista, que apesar de não ser uma "sem terra", foi oprimida a princípio por seu padrasto, depois por seus primos, que realmente tinham o direito na herança, mas na verdade o que queriam era aumentar suas posses e com isso, o seu poderio, pois Maria Moura, do sexo considerado frágil que na época ainda mais que hoje, era discriminado, e ainda ficando com uma área bem menor, pois ela ficaria com apenas um terço da propriedade, sem contar que eles possuíam a propriedade das Marias Pretas, da qual ela não era herdeira, assim ela ficaria subjugada ao poder dos primos.
A jovem órfã de pai e mãe e agora sem o padrasto, que por sentir-se ameaçada, decidiu tirá-lo do caminho, mandando matá-lo, agora ficara sozinha, sem parentes, pois os primos das Marias Pretas, representavam uma ameaça e não guarida, restava-lhe as cunhas e o feitor João Rufos, deixado por seu pai e passara agora mais que nunca a ser o seu homem de confiança, mas não perdeu a coragem de lutar para alcançar seus objetivos. Sendo que na luta contra os primos, sentia-se impotente para enfrentá-los até o fim e derrotá-los, planejou com antecedência, o incêndio de sua casa no Limoeiro queimando todos os seus utensílios, levando apenas o essencial e que pudesse levá-los sem maiores dificuldades, não deixando assim, nada para os usurentos primos além das terras.
Preveniu-se na certeza de que os primos deveriam atacá-la e ela na época ainda não estava prevenida para enfrentá-los com poder de fogo suficiente para derrotá-los, planejou o incêndio da casa como também traçou



planos para o seu futuro, ir a busca do seu sonho de grandeza a conquista das terras da Serra dos Padres, da qual tinha direito por herança, pois havia sido comprada por seu bisavô, através de um procurador da Fidalga, viúva Brigite, a quem o rei de Portugal havia dado em sesmaria e que ela nunca veio tomar posse.
Assim com tudo planejado, partiu para a luta, formou seu bando e seguiu sua trajetória. Finalmente, após muita luta conquistou sua tão sonhada terra, adquiriu riqueza e poder vindo a ser a mais temida pessoa dos arredores das Serra dos Padres e respeitada por todos.
Maria Moura com sua coragem e inteligência sempre planejando bem suas ações, é claro ocorreu alguma coisa de negativo. Como a traição de Cirino, que também não ficou sem punição, mas ninguém é tão inteligente para nunca ter a menor falha, mas no geral ela foi vencedora conquistando o seu poderio através da posse da terra onde construiu sua fortaleza, por ela chamada de seu castelo. Maaria Moura não lutou para vencer a miséria, mas sim para alcançar o poder através da posse da terra e conseguiu.
Mesmo não sendo o caso de Maria Moura e seus cabras, mas nesta obra, percebemos que aparece a denúncia da realidade do trabalhador rural, oprimidos pelos grandes latifundiários que é ainda castigado pelas forças da natureza, que os castiga com a seca, , por a doença, como o caso dos antigos trabalhadores da Serra dos Padres, antes da chegada de Maria Moura, muitos pequenos agricultores são forçados a deixar sua terra em busca da sobrevivência. E assim na realidade também continua do mesmo jeito, ou pior ainda, com esse capitalismo neoliberal, que não é diferente na zona rural, onde o trabalhador não fica com seus lucros, mas sim os grandes produtores e a indústria de produtos e máquinas agrícolas e as empresas financeiras.
A luta continua em nossos dias pela melhor distribuição principalmente das terras, que é a principal fonte de renda na agricultura, mas a Reforma Agrária, ainda é um sonho.
Há um ano, as famílias interessadas em se inscrever no programa de reforma agrária foram autorizadas pelo governo a requerer inscrição por meio dos correios.