Quando te conheci, como saber?
Que amar doesse assim, como dói tanto.
A esse amor me entreguei e no entanto,
Sei que não sei se quero te esquecer.
Tentando a dor e a mágoa esconder
Às vezes refugio-me em qualquer canto,
Desabafando a dor, a irrigo em pranto
Que mais calma prossegue, sempre a doer.
Nem sempre o amor consegue-se entender.
Por que o amor é bom se faz sofrer?
Me deixando assim tão pensativo,
Seria talvez melhor então morrer?
Enquanto amando vivo sem viver!
E se deixar de amar, não sei se vivo!
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
terça-feira, 9 de agosto de 2011
IDENTIDADE CEZARINA
Eu sou Cezario Pardo
O cara do epelho
Do Planeta Terrat
Sulatinoamericano
Brasileiro, filho de mineiro
Nascido nesse colosso
Estadão de Mato Grosso
Que ainda cumpro minha sina
Nesta "vida besta"
Talvez menos severina
Que a do "Severino da Maria
do Zacarias, lá da Serra da Costela....,"
Pois a minha vida é bela
Eu sou filho de José e Maria,
Minha mãe de Águas Belas
E o meu pai de Salinas,
Retirantes lá de Minas,
Dessa terra sudestina,
Da rapadura e do queijo
Findaram em terras sulinas
Sem matar o seu desejo
De retornar lá pra Minas.
Meu nome Cezário Pardo
Cezário é nome de pia
O Pardo provém das letras
Da arte da poesia
E ainda da etnia
Tenho no sangue três cores
De três raças diferentes
Define meu tipo físico
Como cor parda
Moreno claro quase branco,
Cabelos grenhos e pretos
Embranquecidos pelo tempo
E omeu jeito de ser
No coração e na mente
No meu jeito de falar
De sentir e de pensar
As três estão bem presentes
Na fala branca européia
Tem lá os seus condimentos
Do Afrotupiguarani
Na música que canto e danço
Na cultura e alimentos
Tem o cheiro e o gostinho
Europeu, índio africano,
Esses três fortes elementos.
O cara do epelho
Do Planeta Terrat
Sulatinoamericano
Brasileiro, filho de mineiro
Nascido nesse colosso
Estadão de Mato Grosso
Que ainda cumpro minha sina
Nesta "vida besta"
Talvez menos severina
Que a do "Severino da Maria
do Zacarias, lá da Serra da Costela....,"
Pois a minha vida é bela
Eu sou filho de José e Maria,
Minha mãe de Águas Belas
E o meu pai de Salinas,
Retirantes lá de Minas,
Dessa terra sudestina,
Da rapadura e do queijo
Findaram em terras sulinas
Sem matar o seu desejo
De retornar lá pra Minas.
Meu nome Cezário Pardo
Cezário é nome de pia
O Pardo provém das letras
Da arte da poesia
E ainda da etnia
Tenho no sangue três cores
De três raças diferentes
Define meu tipo físico
Como cor parda
Moreno claro quase branco,
Cabelos grenhos e pretos
Embranquecidos pelo tempo
E omeu jeito de ser
No coração e na mente
No meu jeito de falar
De sentir e de pensar
As três estão bem presentes
Na fala branca européia
Tem lá os seus condimentos
Do Afrotupiguarani
Na música que canto e danço
Na cultura e alimentos
Tem o cheiro e o gostinho
Europeu, índio africano,
Esses três fortes elementos.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
UM ABRAÇO DE PERDÃO
UM ABRAÇO DE PERDÃO
Naquela tarde de domingo, Carlos assistia ao Domingão do Faustão, confortavelmente acomodado, recostado no humilde sofá da sala de sua casa, uma pequena sala de uns nove metros quadrados, uma casinha de madeira, sem pintura, piso queimado com xadrez amarelo, no chão da sala um tapete de tricô confeccionado por sua mãe. Enquanto descansava do árduo trabalho da semana que findara, se divertia rindo bastante das coisas engraçadas que aconteciam no programa, tudo estava muito tranqüilo, quando de repente chega à sua casa, o namorado de sua irmã, que já se sentia alguém da família, com toda liberdade, até em demasia, na opinião de Carlos, se apossou do controle remoto e sem dizer nada, trocou o canal, para assistir a outro programa de preferência do rapaz.
O jovem irritou-se com a atitude do futuro cunhado, achando-a um tanto quanto mal educada e queixou-se dizendo, que ele estava assistindo já algum tempo, que o outro pelo menos deveria pedir licença para trocar o canal se assim o quisesse, nisso entra na sala o pai de Carlos, senhor Roberto e lhe disse poucas e boas, que ele não era o dono da casa para dar ordens a quem quer que fosse e enquanto ele o pai, estivesse vivo, ele é quem mandava, tomando assim as dores do futuro genro. Não se conformando apenas com a agressão verbal, desfere uma bofetada no rosto do filho.
Carlos enfrenta o pai, dizendo que não deveria ter feito o que fez, até pelo motivo, pois não havia ofendido nem mesmo em palavras grosseiras seu futuro cunhado e já se sentia um adulto para ser reprimido dessa forma, contava com dezoito anos de idade, mas seu pai continuava irredutível e ameaçou desferir outro bofete ao que o filho mandou que o pai batesse e quando o pai levantou o braço, o filho levantou também o seu e nisso o pai conteve-se abaixando o braço sem dizer palavras.
Adentrou seu quarto com o rosto ardendo, mais num misto de ódio e vergonha que de dor física, dizendo que iria embora e não mais colocaria os pés naquela casa, sua mãe chorava desesperada pedindo-o que não se fosse embora, enquanto o pai parecia duvidar que ele tivesse coragem de partir. Motivado pelas lágrimas da mãe e ainda pela falta de dinheiro, decidiu não sair assim precipitado, ficou mais uns dias trabalhando numa sacaria de sementes, angariou a quantia de cento e cinqüenta reais e aí se decidiu finalmente sair de casa.
O dia ainda não havia amanhecido alguns galos cantavam distante anunciando o novo dia que se aproximava, quando a van encostou enfrente sua casa o coração batia acelerado a respiração descompassada, os pensamentos fervilhavam em sua mente, dizia pra si mesmo, tenho que ir, tenho que ir, não dá pra permanecer aqui sem falar com meu pai, o rosto ainda ardia e o coração estava muito magoado, por outro lado, a mãe e a irmã, era muito difícil deixá-las, mas tinha que fazê-lo. Cabisbaixo saiu porta a fora a encostando atrás de si, sem olhar para trás e embarcou na van para o pretenso destino.
Debruçou no encosto de banco em frente ao que sentou, com a alma atormentada, as lembranças dos acontecimentos dos últimos dias, o rosto impassivo do pai, parecia ainda ouvir aquelas palavras duras, ...“seu moleque, cresça e apareça entre outras...” as lágrimas da mãe, tudo parecia como num filme que reprisava continuamente e as lágrimas mornas e amargas escorriam do seu rosto molhando o forro da poltrona, durante aquelas duas horas de viagem que pareciam uma eternidade.
Por volta das sete horas da manhã, chegou à cidade de Tangará da Serra, onde pretendia morar e as dificuldades já o esperavam, não conhecia ninguém, o dinheiro pouco, mas depois de muitas andanças, encontrou um quarto para alugar, o dinheiro que tinha foi quase a conta de pagar o aluguel, arranjou serviço de servente de pedreiro onde tinha que quebrar calçadas entre outros serviços que exigiam muito esforço físico, alimentando-se com um sanduíche, teve dia que nada comeu, pois acabou a grana, veio a receber as diárias referentes a essas atividades, só no final da semana e a partir daí as coisas amenizaram um pouco, mas por quase três meses trabalhou em construção.
Depois desse período, como havia deixado seu currículo em diversas empresas, conseguiu um emprego como entregador de bebidas, na Coca cola, trabalhou por um bom período trocando este pelo trabalho de frentista em um posto de gasolina onde se encontra até o dia de hoje, assim as coisas melhoraram em sua vida, conseguiu comprar suas coisas como fogão, geladeira e outros utensílios, fez o consórcio de uma moto, não está rico, mas tem o essencial para viver bem, no plano de vida material.
A situação sócio-econômica estava estabilizada em sua vida, mas não se sentia feliz longe da família, às vezes sentindo-se o filho injustiçado, outras o filho pródigo, seu pai foi truculento mas era o seu pai, aquele que lhe pôs no mundo e sofreu para criá-lo, esses pensamentos sempre martelando em sua mente, até que chegou o dia de ir visitar sua família, enquanto Carlos sofria distante de casa, seu pai também havia refletido sobre suas atitudes anteriores, a agressividade com a esposa e os filhos que sempre tivera sido animada pela influência do álcool, pois era dado ao uso de bebidas alcoólicas e às vezes tomava uns goles a mais, mas a partir da malfadada briga com o filho havia deixado de beber.
Neste dia decisivo “o bom filho a casa retorna”, frase que já havia ouvido em algum lugar, mas o jovem sentia-se mais como o filho pródigo, não via em si mesmo essa bondade, pois mesmo que o pai tinha errado, seu pai era humano e todos são passivos de erros, enfim não devia sentir ódio de seu próprio pai e com esses pensamentos e sentimentos de arrependimentos e de saudades, chega à casa de seus pais. A mãe e a irmã lhe abraçam afetuosamente, ambos enxugando as lágrimas conversam calorosamente, mas o pai estava ausente e só a noite retornaria.
Carlos estava cansado da viagem, e foi mais cedo para a cama antes que o pai chegasse, mas mesmo assim não conseguia dormir com aquela confusão em sua cabeça, será que o pai iria recebê-lo com alegria, ou iria ignorá-lo, de repente seu coração quase para, o esperado momento chegava, seu Roberto soube pela esposa que o filho estava em casa e antes de tudo adentrou o quarto do filho.
O jovem num esforço permaneceu de olhos fechados fingindo dormir. O pai cuidadosamente puxou a coberta e colocou sobre o rapaz e ficou por um instante afagando-lhe os cabelos, a emoção foi forte de mais, Carlos não se conteve, levantou-se e atirou nos braços do pai, pedindo-o que o perdoasse, mas o pai disse que ele que deveria pedir perdão ao filho, abraçados choraram muito, não havia palavras que expressasse melhor o perdão mútuo entre pai e filho.
Cezário Pereira da Costa
Naquela tarde de domingo, Carlos assistia ao Domingão do Faustão, confortavelmente acomodado, recostado no humilde sofá da sala de sua casa, uma pequena sala de uns nove metros quadrados, uma casinha de madeira, sem pintura, piso queimado com xadrez amarelo, no chão da sala um tapete de tricô confeccionado por sua mãe. Enquanto descansava do árduo trabalho da semana que findara, se divertia rindo bastante das coisas engraçadas que aconteciam no programa, tudo estava muito tranqüilo, quando de repente chega à sua casa, o namorado de sua irmã, que já se sentia alguém da família, com toda liberdade, até em demasia, na opinião de Carlos, se apossou do controle remoto e sem dizer nada, trocou o canal, para assistir a outro programa de preferência do rapaz.
O jovem irritou-se com a atitude do futuro cunhado, achando-a um tanto quanto mal educada e queixou-se dizendo, que ele estava assistindo já algum tempo, que o outro pelo menos deveria pedir licença para trocar o canal se assim o quisesse, nisso entra na sala o pai de Carlos, senhor Roberto e lhe disse poucas e boas, que ele não era o dono da casa para dar ordens a quem quer que fosse e enquanto ele o pai, estivesse vivo, ele é quem mandava, tomando assim as dores do futuro genro. Não se conformando apenas com a agressão verbal, desfere uma bofetada no rosto do filho.
Carlos enfrenta o pai, dizendo que não deveria ter feito o que fez, até pelo motivo, pois não havia ofendido nem mesmo em palavras grosseiras seu futuro cunhado e já se sentia um adulto para ser reprimido dessa forma, contava com dezoito anos de idade, mas seu pai continuava irredutível e ameaçou desferir outro bofete ao que o filho mandou que o pai batesse e quando o pai levantou o braço, o filho levantou também o seu e nisso o pai conteve-se abaixando o braço sem dizer palavras.
Adentrou seu quarto com o rosto ardendo, mais num misto de ódio e vergonha que de dor física, dizendo que iria embora e não mais colocaria os pés naquela casa, sua mãe chorava desesperada pedindo-o que não se fosse embora, enquanto o pai parecia duvidar que ele tivesse coragem de partir. Motivado pelas lágrimas da mãe e ainda pela falta de dinheiro, decidiu não sair assim precipitado, ficou mais uns dias trabalhando numa sacaria de sementes, angariou a quantia de cento e cinqüenta reais e aí se decidiu finalmente sair de casa.
O dia ainda não havia amanhecido alguns galos cantavam distante anunciando o novo dia que se aproximava, quando a van encostou enfrente sua casa o coração batia acelerado a respiração descompassada, os pensamentos fervilhavam em sua mente, dizia pra si mesmo, tenho que ir, tenho que ir, não dá pra permanecer aqui sem falar com meu pai, o rosto ainda ardia e o coração estava muito magoado, por outro lado, a mãe e a irmã, era muito difícil deixá-las, mas tinha que fazê-lo. Cabisbaixo saiu porta a fora a encostando atrás de si, sem olhar para trás e embarcou na van para o pretenso destino.
Debruçou no encosto de banco em frente ao que sentou, com a alma atormentada, as lembranças dos acontecimentos dos últimos dias, o rosto impassivo do pai, parecia ainda ouvir aquelas palavras duras, ...“seu moleque, cresça e apareça entre outras...” as lágrimas da mãe, tudo parecia como num filme que reprisava continuamente e as lágrimas mornas e amargas escorriam do seu rosto molhando o forro da poltrona, durante aquelas duas horas de viagem que pareciam uma eternidade.
Por volta das sete horas da manhã, chegou à cidade de Tangará da Serra, onde pretendia morar e as dificuldades já o esperavam, não conhecia ninguém, o dinheiro pouco, mas depois de muitas andanças, encontrou um quarto para alugar, o dinheiro que tinha foi quase a conta de pagar o aluguel, arranjou serviço de servente de pedreiro onde tinha que quebrar calçadas entre outros serviços que exigiam muito esforço físico, alimentando-se com um sanduíche, teve dia que nada comeu, pois acabou a grana, veio a receber as diárias referentes a essas atividades, só no final da semana e a partir daí as coisas amenizaram um pouco, mas por quase três meses trabalhou em construção.
Depois desse período, como havia deixado seu currículo em diversas empresas, conseguiu um emprego como entregador de bebidas, na Coca cola, trabalhou por um bom período trocando este pelo trabalho de frentista em um posto de gasolina onde se encontra até o dia de hoje, assim as coisas melhoraram em sua vida, conseguiu comprar suas coisas como fogão, geladeira e outros utensílios, fez o consórcio de uma moto, não está rico, mas tem o essencial para viver bem, no plano de vida material.
A situação sócio-econômica estava estabilizada em sua vida, mas não se sentia feliz longe da família, às vezes sentindo-se o filho injustiçado, outras o filho pródigo, seu pai foi truculento mas era o seu pai, aquele que lhe pôs no mundo e sofreu para criá-lo, esses pensamentos sempre martelando em sua mente, até que chegou o dia de ir visitar sua família, enquanto Carlos sofria distante de casa, seu pai também havia refletido sobre suas atitudes anteriores, a agressividade com a esposa e os filhos que sempre tivera sido animada pela influência do álcool, pois era dado ao uso de bebidas alcoólicas e às vezes tomava uns goles a mais, mas a partir da malfadada briga com o filho havia deixado de beber.
Neste dia decisivo “o bom filho a casa retorna”, frase que já havia ouvido em algum lugar, mas o jovem sentia-se mais como o filho pródigo, não via em si mesmo essa bondade, pois mesmo que o pai tinha errado, seu pai era humano e todos são passivos de erros, enfim não devia sentir ódio de seu próprio pai e com esses pensamentos e sentimentos de arrependimentos e de saudades, chega à casa de seus pais. A mãe e a irmã lhe abraçam afetuosamente, ambos enxugando as lágrimas conversam calorosamente, mas o pai estava ausente e só a noite retornaria.
Carlos estava cansado da viagem, e foi mais cedo para a cama antes que o pai chegasse, mas mesmo assim não conseguia dormir com aquela confusão em sua cabeça, será que o pai iria recebê-lo com alegria, ou iria ignorá-lo, de repente seu coração quase para, o esperado momento chegava, seu Roberto soube pela esposa que o filho estava em casa e antes de tudo adentrou o quarto do filho.
O jovem num esforço permaneceu de olhos fechados fingindo dormir. O pai cuidadosamente puxou a coberta e colocou sobre o rapaz e ficou por um instante afagando-lhe os cabelos, a emoção foi forte de mais, Carlos não se conteve, levantou-se e atirou nos braços do pai, pedindo-o que o perdoasse, mas o pai disse que ele que deveria pedir perdão ao filho, abraçados choraram muito, não havia palavras que expressasse melhor o perdão mútuo entre pai e filho.
Cezário Pereira da Costa
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este é o meu primeiro conto
UM ABRAÇO DE PERDÃO
UM ABRAÇO DE PERDÃO
Naquela tarde de domingo, Carlos assistia ao Domingão do Faustão, confortavelmente acomodado, recostado no humilde sofá da sala de sua casa, uma pequena sala de uns nove metros quadrados, uma casinha de madeira, sem pintura, piso queimado com xadrez amarelo, no chão da sala um tapete de tricô confeccionado por sua mãe. Enquanto descansava do árduo trabalho da semana que findara, se divertia rindo bastante das coisas engraçadas que aconteciam no programa, tudo estava muito tranqüilo, quando de repente chega à sua casa, o namorado de sua irmã, que já se sentia alguém da família, com toda liberdade, até em demasia, na opinião de Carlos, se apossou do controle remoto e sem dizer nada, trocou o canal, para assistir a outro programa de preferência do rapaz.
O jovem irritou-se com a atitude do futuro cunhado, achando-a um tanto quanto mal educada e queixou-se dizendo, que ele estava assistindo já algum tempo, que o outro pelo menos deveria pedir licença para trocar o canal se assim o quisesse, nisso entra na sala o pai de Carlos, senhor Roberto e lhe disse poucas e boas, que ele não era o dono da casa para dar ordens a quem quer que fosse e enquanto ele o pai, estivesse vivo, ele é quem mandava, tomando assim as dores do futuro genro. Não se conformando apenas com a agressão verbal, desfere uma bofetada no rosto do filho.
Carlos enfrenta o pai, dizendo que não deveria ter feito o que fez, até pelo motivo, pois não havia ofendido nem mesmo em palavras grosseiras seu futuro cunhado e já se sentia um adulto para ser reprimido dessa forma, contava com dezoito anos de idade, mas seu pai continuava irredutível e ameaçou desferir outro bofete ao que o filho mandou que o pai batesse e quando o pai levantou o braço, o filho levantou também o seu e nisso o pai conteve-se abaixando o braço sem dizer palavras.
Adentrou seu quarto com o rosto ardendo, mais num misto de ódio e vergonha que de dor física, dizendo que iria embora e não mais colocaria os pés naquela casa, sua mãe chorava desesperada pedindo-o que não se fosse embora, enquanto o pai parecia duvidar que ele tivesse coragem de partir. Motivado pelas lágrimas da mãe e ainda pela falta de dinheiro, decidiu não sair assim precipitado, ficou mais uns dias trabalhando numa sacaria de sementes, angariou a quantia de cento e cinqüenta reais e aí se decidiu finalmente sair de casa.
O dia ainda não havia amanhecido alguns galos cantavam distante anunciando o novo dia que se aproximava, quando a van encostou enfrente sua casa o coração batia acelerado a respiração descompassada, os pensamentos fervilhavam em sua mente, dizia pra si mesmo, tenho que ir, tenho que ir, não dá pra permanecer aqui sem falar com meu pai, o rosto ainda ardia e o coração estava muito magoado, por outro lado, a mãe e a irmã, era muito difícil deixá-las, mas tinha que fazê-lo. Cabisbaixo saiu porta a fora a encostando atrás de si, sem olhar para trás e embarcou na van para o pretenso destino.
Debruçou no encosto de banco em frente ao que sentou, com a alma atormentada, as lembranças dos acontecimentos dos últimos dias, o rosto impassivo do pai, parecia ainda ouvir aquelas palavras duras, ...“seu moleque, cresça e apareça entre outras...” as lágrimas da mãe, tudo parecia como num filme que reprisava continuamente e as lágrimas mornas e amargas escorriam do seu rosto molhando o forro da poltrona, durante aquelas duas horas de viagem que pareciam uma eternidade.
Por volta das sete horas da manhã, chegou à cidade de Tangará da Serra, onde pretendia morar e as dificuldades já o esperavam, não conhecia ninguém, o dinheiro pouco, mas depois de muitas andanças, encontrou um quarto para alugar, o dinheiro que tinha foi quase a conta de pagar o aluguel, arranjou serviço de servente de pedreiro onde tinha que quebrar calçadas entre outros serviços que exigiam muito esforço físico, alimentando-se com um sanduíche, teve dia que nada comeu, pois acabou a grana, veio a receber as diárias referentes a essas atividades, só no final da semana e a partir daí as coisas amenizaram um pouco, mas por quase três meses trabalhou em construção.
Depois desse período, como havia deixado seu currículo em diversas empresas, conseguiu um emprego como entregador de bebidas, na Coca cola, trabalhou por um bom período trocando este pelo trabalho de frentista em um posto de gasolina onde se encontra até o dia de hoje, assim as coisas melhoraram em sua vida, conseguiu comprar suas coisas como fogão, geladeira e outros utensílios, fez o consórcio de uma moto, não está rico, mas tem o essencial para viver bem, no plano de vida material.
A situação sócio-econômica estava estabilizada em sua vida, mas não se sentia feliz longe da família, às vezes sentindo-se o filho injustiçado, outras o filho pródigo, seu pai foi truculento mas era o seu pai, aquele que lhe pôs no mundo e sofreu para criá-lo, esses pensamentos sempre martelando em sua mente, até que chegou o dia de ir visitar sua família, enquanto Carlos sofria distante de casa, seu pai também havia refletido sobre suas atitudes anteriores, a agressividade com a esposa e os filhos que sempre tivera sido animada pela influência do álcool, pois era dado ao uso de bebidas alcoólicas e às vezes tomava uns goles a mais, mas a partir da malfadada briga com o filho havia deixado de beber.
Neste dia decisivo “o bom filho a casa retorna”, frase que já havia ouvido em algum lugar, mas o jovem sentia-se mais como o filho pródigo, não via em si mesmo essa bondade, pois mesmo que o pai tinha errado, seu pai era humano e todos são passivos de erros, enfim não devia sentir ódio de seu próprio pai e com esses pensamentos e sentimentos de arrependimentos e de saudades, chega à casa de seus pais. A mãe e a irmã lhe abraçam afetuosamente, ambos enxugando as lágrimas conversam calorosamente, mas o pai estava ausente e só a noite retornaria.
Carlos estava cansado da viagem, e foi mais cedo para a cama antes que o pai chegasse, mas mesmo assim não conseguia dormir com aquela confusão em sua cabeça, será que o pai iria recebê-lo com alegria, ou iria ignorá-lo, de repente seu coração quase para, o esperado momento chegava, seu Roberto soube pela esposa que o filho estava em casa e antes de tudo adentrou o quarto do filho.
O jovem num esforço permaneceu de olhos fechados fingindo dormir. O pai cuidadosamente puxou a coberta e colocou sobre o rapaz e ficou por um instante afagando-lhe os cabelos, a emoção foi forte de mais, Carlos não se conteve, levantou-se e atirou nos braços do pai, pedindo-o que o perdoasse, mas o pai disse que ele que deveria pedir perdão ao filho, abraçados choraram muito, não havia palavras que expressasse melhor o perdão mútuo entre pai e filho.
Cezário Pereira da Costa
Naquela tarde de domingo, Carlos assistia ao Domingão do Faustão, confortavelmente acomodado, recostado no humilde sofá da sala de sua casa, uma pequena sala de uns nove metros quadrados, uma casinha de madeira, sem pintura, piso queimado com xadrez amarelo, no chão da sala um tapete de tricô confeccionado por sua mãe. Enquanto descansava do árduo trabalho da semana que findara, se divertia rindo bastante das coisas engraçadas que aconteciam no programa, tudo estava muito tranqüilo, quando de repente chega à sua casa, o namorado de sua irmã, que já se sentia alguém da família, com toda liberdade, até em demasia, na opinião de Carlos, se apossou do controle remoto e sem dizer nada, trocou o canal, para assistir a outro programa de preferência do rapaz.
O jovem irritou-se com a atitude do futuro cunhado, achando-a um tanto quanto mal educada e queixou-se dizendo, que ele estava assistindo já algum tempo, que o outro pelo menos deveria pedir licença para trocar o canal se assim o quisesse, nisso entra na sala o pai de Carlos, senhor Roberto e lhe disse poucas e boas, que ele não era o dono da casa para dar ordens a quem quer que fosse e enquanto ele o pai, estivesse vivo, ele é quem mandava, tomando assim as dores do futuro genro. Não se conformando apenas com a agressão verbal, desfere uma bofetada no rosto do filho.
Carlos enfrenta o pai, dizendo que não deveria ter feito o que fez, até pelo motivo, pois não havia ofendido nem mesmo em palavras grosseiras seu futuro cunhado e já se sentia um adulto para ser reprimido dessa forma, contava com dezoito anos de idade, mas seu pai continuava irredutível e ameaçou desferir outro bofete ao que o filho mandou que o pai batesse e quando o pai levantou o braço, o filho levantou também o seu e nisso o pai conteve-se abaixando o braço sem dizer palavras.
Adentrou seu quarto com o rosto ardendo, mais num misto de ódio e vergonha que de dor física, dizendo que iria embora e não mais colocaria os pés naquela casa, sua mãe chorava desesperada pedindo-o que não se fosse embora, enquanto o pai parecia duvidar que ele tivesse coragem de partir. Motivado pelas lágrimas da mãe e ainda pela falta de dinheiro, decidiu não sair assim precipitado, ficou mais uns dias trabalhando numa sacaria de sementes, angariou a quantia de cento e cinqüenta reais e aí se decidiu finalmente sair de casa.
O dia ainda não havia amanhecido alguns galos cantavam distante anunciando o novo dia que se aproximava, quando a van encostou enfrente sua casa o coração batia acelerado a respiração descompassada, os pensamentos fervilhavam em sua mente, dizia pra si mesmo, tenho que ir, tenho que ir, não dá pra permanecer aqui sem falar com meu pai, o rosto ainda ardia e o coração estava muito magoado, por outro lado, a mãe e a irmã, era muito difícil deixá-las, mas tinha que fazê-lo. Cabisbaixo saiu porta a fora a encostando atrás de si, sem olhar para trás e embarcou na van para o pretenso destino.
Debruçou no encosto de banco em frente ao que sentou, com a alma atormentada, as lembranças dos acontecimentos dos últimos dias, o rosto impassivo do pai, parecia ainda ouvir aquelas palavras duras, ...“seu moleque, cresça e apareça entre outras...” as lágrimas da mãe, tudo parecia como num filme que reprisava continuamente e as lágrimas mornas e amargas escorriam do seu rosto molhando o forro da poltrona, durante aquelas duas horas de viagem que pareciam uma eternidade.
Por volta das sete horas da manhã, chegou à cidade de Tangará da Serra, onde pretendia morar e as dificuldades já o esperavam, não conhecia ninguém, o dinheiro pouco, mas depois de muitas andanças, encontrou um quarto para alugar, o dinheiro que tinha foi quase a conta de pagar o aluguel, arranjou serviço de servente de pedreiro onde tinha que quebrar calçadas entre outros serviços que exigiam muito esforço físico, alimentando-se com um sanduíche, teve dia que nada comeu, pois acabou a grana, veio a receber as diárias referentes a essas atividades, só no final da semana e a partir daí as coisas amenizaram um pouco, mas por quase três meses trabalhou em construção.
Depois desse período, como havia deixado seu currículo em diversas empresas, conseguiu um emprego como entregador de bebidas, na Coca cola, trabalhou por um bom período trocando este pelo trabalho de frentista em um posto de gasolina onde se encontra até o dia de hoje, assim as coisas melhoraram em sua vida, conseguiu comprar suas coisas como fogão, geladeira e outros utensílios, fez o consórcio de uma moto, não está rico, mas tem o essencial para viver bem, no plano de vida material.
A situação sócio-econômica estava estabilizada em sua vida, mas não se sentia feliz longe da família, às vezes sentindo-se o filho injustiçado, outras o filho pródigo, seu pai foi truculento mas era o seu pai, aquele que lhe pôs no mundo e sofreu para criá-lo, esses pensamentos sempre martelando em sua mente, até que chegou o dia de ir visitar sua família, enquanto Carlos sofria distante de casa, seu pai também havia refletido sobre suas atitudes anteriores, a agressividade com a esposa e os filhos que sempre tivera sido animada pela influência do álcool, pois era dado ao uso de bebidas alcoólicas e às vezes tomava uns goles a mais, mas a partir da malfadada briga com o filho havia deixado de beber.
Neste dia decisivo “o bom filho a casa retorna”, frase que já havia ouvido em algum lugar, mas o jovem sentia-se mais como o filho pródigo, não via em si mesmo essa bondade, pois mesmo que o pai tinha errado, seu pai era humano e todos são passivos de erros, enfim não devia sentir ódio de seu próprio pai e com esses pensamentos e sentimentos de arrependimentos e de saudades, chega à casa de seus pais. A mãe e a irmã lhe abraçam afetuosamente, ambos enxugando as lágrimas conversam calorosamente, mas o pai estava ausente e só a noite retornaria.
Carlos estava cansado da viagem, e foi mais cedo para a cama antes que o pai chegasse, mas mesmo assim não conseguia dormir com aquela confusão em sua cabeça, será que o pai iria recebê-lo com alegria, ou iria ignorá-lo, de repente seu coração quase para, o esperado momento chegava, seu Roberto soube pela esposa que o filho estava em casa e antes de tudo adentrou o quarto do filho.
O jovem num esforço permaneceu de olhos fechados fingindo dormir. O pai cuidadosamente puxou a coberta e colocou sobre o rapaz e ficou por um instante afagando-lhe os cabelos, a emoção foi forte de mais, Carlos não se conteve, levantou-se e atirou nos braços do pai, pedindo-o que o perdoasse, mas o pai disse que ele que deveria pedir perdão ao filho, abraçados choraram muito, não havia palavras que expressasse melhor o perdão mútuo entre pai e filho.
Cezário Pereira da Costa
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