segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Novo Nascimento


Hoje, 11 de setembro de 2011, nasci para a vida cristã, tornei-me um membro de minha Igreja e do corpo místico de Cristo, Eu, Igor Soares de Almeida Brito, sou filho de Deus, iniciei minha caminhada como cristão hoje.

Novo Nascimento


Hoje 11 de setembro de 2011 completa-se dez anos da tragédia da torres gêmeas, mas para esta linda criança é um dia muito feliz que deverá ser lembrado por toda vida, éu um segundo novo nacimento, pois em dez de janeiro, exatamente a oito meses atrás sofreu um acidente, sobrevivendo por milagre e neste dia renasce da água e do Espírito, pelo batismo.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

MEMORIAL DE MARIA MOURA

Analise do Livro de Rachel de Queiroz (por Cezário)

INTRODUÇÃO
Um do s temas muitas vezes abordado por Rachel de Queiroz, era a questão da terra, pois para ela a terra, sempre foi um mistério importante, mesmo nós sabendo que a vida é transitória, sempre se sonha com um pedaço de chão, onde construirmos o nosso cantinho, para vivermos. Kàuerôítios termos um território provedor, onde nos vinculemos, criemos Dossa família, construamos nossa base, nossa raiz.

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cronológico, em meados de 1850, mais ou menos na segunda metade do período imperial coincidindo também com o fim do tráfico de escravos, por pressão da Inglaterra, que estava interessada em compradores para seus produtos manufaturados, os escravos não assalariados, não consumiriam estes produtos, acreditavam que uma mão de obra assalariada iria ampliar seu mercado consumidor. E também a criação da chamada Lei da Terra, que definia que a terra devoluta seria adquirida mediante o pagamento de certa quantia ao Estado, dinheiro esse que seria utilizado para investir na imigração de colonos europeus, para trabalhar na lavoura. Antes, no início da colonização, as terras foram doadas em grandes extensões a particulares, denominadas sesmarias, que unida a um rentável tráfico de escravos, e assim a nossa colonização formou-se com base no latifúndio.
Assim com base em nossas raízes históricas, quando o país tinha uma economia totalmente agrícola, fundamentada no latifúndio e a mão-de-obra escravagista, seguindo após a Leia Áurea substituída por colonos que se emigraram da Europa, sendo não mais escrava mas, mão-de-obra barata, o que veio agravar ainda mais esta opressão com a industrialização da economia brasileira, que também defendia a produção de produtos em larga escala, favorecendo o latifúndio.
Mas sabemos que a disputa pela posse da terra existe provavelmente, desde o surgimento do homem na face da terra, pois mesmo antes de aprender a cultivá-la, sobrevivendo da coleta, caça e pesca, sem nenhuma intervenção humana, já se disputava o espaço de coletas de frutas e da caça.
Também na bíblia a posse da terra é símbolo de poder, pois para os judeus o bem maior era a bênção de Deus e esta bênção nos principais fatos bíblicos eram representadas pela posse da terra, a formação do povo hebreu, através de Abraão, foi marcada pela primeira aliança onde Deus lhe entrega a posse das terras a seguir descritas na bíblia: "Naquele mesmo dia fez o Senhor um concerto com Abraão, dizendo: À tua semente tenho dado

esta terra, desde o rio Egito até ao grande rio Euf rates; e o queneu, e o quenezeu, e o cadmoneu, e o heteu, e o fereseu, e os refains, e o amorreu, e o cananeu, e o girgaseu, e o jebuseu. (Gên 15,18-21)."
Ainda podemos relacionar o poder como presença de Deus junto do povo, quando Deus estava com eles desfrutava da terra, quando Deus se afastava por causa do pecado, eles perdiam a terra e tornavam se cativos de outros povos, como viveram como cativeiros no Egito e na Babilônia.
Na ficção de Rachel de Queiroz, Maria Moura revolucionou a realidade nordestina, uma mulher que pela força das armas conquistou a posse da terra.
A protagonista, que apesar de não ser uma "sem terra", foi oprimida a princípio por seu padrasto, depois por seus primos, que realmente tinham o direito na herança, mas na verdade o que queriam era aumentar suas posses e com isso, o seu poderio, pois Maria Moura, do sexo considerado frágil que na época ainda mais que hoje, era discriminado, e ainda ficando com uma área bem menor, pois ela ficaria com apenas um terço da propriedade, sem contar que eles possuíam a propriedade das Marias Pretas, da qual ela não era herdeira, assim ela ficaria subjugada ao poder dos primos.
A jovem órfã de pai e mãe e agora sem o padrasto, que por sentir-se ameaçada, decidiu tirá-lo do caminho, mandando matá-lo, agora ficara sozinha, sem parentes, pois os primos das Marias Pretas, representavam uma ameaça e não guarida, restava-lhe as cunhas e o feitor João Rufos, deixado por seu pai e passara agora mais que nunca a ser o seu homem de confiança, mas não perdeu a coragem de lutar para alcançar seus objetivos. Sendo que na luta contra os primos, sentia-se impotente para enfrentá-los até o fim e derrotá-los, planejou com antecedência, o incêndio de sua casa no Limoeiro queimando todos os seus utensílios, levando apenas o essencial e que pudesse levá-los sem maiores dificuldades, não deixando assim, nada para os usurentos primos além das terras.
Preveniu-se na certeza de que os primos deveriam atacá-la e ela na época ainda não estava prevenida para enfrentá-los com poder de fogo suficiente para derrotá-los, planejou o incêndio da casa como também traçou



planos para o seu futuro, ir a busca do seu sonho de grandeza a conquista das terras da Serra dos Padres, da qual tinha direito por herança, pois havia sido comprada por seu bisavô, através de um procurador da Fidalga, viúva Brigite, a quem o rei de Portugal havia dado em sesmaria e que ela nunca veio tomar posse.
Assim com tudo planejado, partiu para a luta, formou seu bando e seguiu sua trajetória. Finalmente, após muita luta conquistou sua tão sonhada terra, adquiriu riqueza e poder vindo a ser a mais temida pessoa dos arredores das Serra dos Padres e respeitada por todos.
Maria Moura com sua coragem e inteligência sempre planejando bem suas ações, é claro ocorreu alguma coisa de negativo. Como a traição de Cirino, que também não ficou sem punição, mas ninguém é tão inteligente para nunca ter a menor falha, mas no geral ela foi vencedora conquistando o seu poderio através da posse da terra onde construiu sua fortaleza, por ela chamada de seu castelo. Maaria Moura não lutou para vencer a miséria, mas sim para alcançar o poder através da posse da terra e conseguiu.
Mesmo não sendo o caso de Maria Moura e seus cabras, mas nesta obra, percebemos que aparece a denúncia da realidade do trabalhador rural, oprimidos pelos grandes latifundiários que é ainda castigado pelas forças da natureza, que os castiga com a seca, , por a doença, como o caso dos antigos trabalhadores da Serra dos Padres, antes da chegada de Maria Moura, muitos pequenos agricultores são forçados a deixar sua terra em busca da sobrevivência. E assim na realidade também continua do mesmo jeito, ou pior ainda, com esse capitalismo neoliberal, que não é diferente na zona rural, onde o trabalhador não fica com seus lucros, mas sim os grandes produtores e a indústria de produtos e máquinas agrícolas e as empresas financeiras.
A luta continua em nossos dias pela melhor distribuição principalmente das terras, que é a principal fonte de renda na agricultura, mas a Reforma Agrária, ainda é um sonho.
Há um ano, as famílias interessadas em se inscrever no programa de reforma agrária foram autorizadas pelo governo a requerer inscrição por meio dos correios.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

SONETO DE AMOR

Quando te conheci, como saber?
Que amar doesse assim, como dói tanto.
A esse amor me entreguei e no entanto,
Sei que não sei se quero te esquecer.

Tentando a dor e a mágoa esconder
Às vezes refugio-me em qualquer canto,
Desabafando a dor, a irrigo em pranto
Que mais calma prossegue, sempre a doer.

Nem sempre o amor consegue-se entender.
Por que o amor é bom se faz sofrer?
Me deixando assim tão pensativo,

Seria talvez melhor então morrer?
Enquanto amando vivo sem viver!
E se deixar de amar, não sei se vivo!


terça-feira, 9 de agosto de 2011

IDENTIDADE CEZARINA

Eu sou Cezario Pardo
O cara do epelho
Do Planeta Terrat
Sulatinoamericano
Brasileiro, filho de mineiro
Nascido nesse colosso
Estadão de Mato Grosso
Que ainda cumpro minha sina
Nesta "vida besta"
Talvez menos severina
Que a do "Severino da Maria
do Zacarias, lá da Serra da Costela....,"
Pois a minha vida é bela
Eu sou filho de José e Maria,
Minha mãe de Águas Belas
E o meu pai de Salinas,
Retirantes lá de Minas,
Dessa terra sudestina,
Da rapadura e do queijo
Findaram em terras sulinas
Sem matar o seu desejo
De retornar lá pra Minas.

Meu nome Cezário Pardo
Cezário é nome de pia
O Pardo provém das letras
Da arte da poesia
E ainda da etnia
Tenho no sangue três cores
De três raças diferentes
Define meu tipo físico
Como cor parda
Moreno claro quase branco,
Cabelos grenhos e pretos
Embranquecidos pelo tempo
E omeu jeito de ser
No coração e na mente
No meu jeito de falar
De sentir e de pensar
As três estão bem presentes
Na fala branca européia
Tem lá os seus condimentos
Do Afrotupiguarani
Na música que canto e danço
Na cultura e alimentos
Tem o cheiro e o gostinho
Europeu, índio africano,
Esses três fortes elementos.


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

UM ABRAÇO DE PERDÃO

UM ABRAÇO DE PERDÃO

Naquela tarde de domingo, Carlos assistia ao Domingão do Faustão, confortavelmente acomodado, recostado no humilde sofá da sala de sua casa, uma pequena sala de uns nove metros quadrados, uma casinha de madeira, sem pintura, piso queimado com xadrez amarelo, no chão da sala um tapete de tricô confeccionado por sua mãe. Enquanto descansava do árduo trabalho da semana que findara, se divertia rindo bastante das coisas engraçadas que aconteciam no programa, tudo estava muito tranqüilo, quando de repente chega à sua casa, o namorado de sua irmã, que já se sentia alguém da família, com toda liberdade, até em demasia, na opinião de Carlos, se apossou do controle remoto e sem dizer nada, trocou o canal, para assistir a outro programa de preferência do rapaz.
O jovem irritou-se com a atitude do futuro cunhado, achando-a um tanto quanto mal educada e queixou-se dizendo, que ele estava assistindo já algum tempo, que o outro pelo menos deveria pedir licença para trocar o canal se assim o quisesse, nisso entra na sala o pai de Carlos, senhor Roberto e lhe disse poucas e boas, que ele não era o dono da casa para dar ordens a quem quer que fosse e enquanto ele o pai, estivesse vivo, ele é quem mandava, tomando assim as dores do futuro genro. Não se conformando apenas com a agressão verbal, desfere uma bofetada no rosto do filho.
Carlos enfrenta o pai, dizendo que não deveria ter feito o que fez, até pelo motivo, pois não havia ofendido nem mesmo em palavras grosseiras seu futuro cunhado e já se sentia um adulto para ser reprimido dessa forma, contava com dezoito anos de idade, mas seu pai continuava irredutível e ameaçou desferir outro bofete ao que o filho mandou que o pai batesse e quando o pai levantou o braço, o filho levantou também o seu e nisso o pai conteve-se abaixando o braço sem dizer palavras.
Adentrou seu quarto com o rosto ardendo, mais num misto de ódio e vergonha que de dor física, dizendo que iria embora e não mais colocaria os pés naquela casa, sua mãe chorava desesperada pedindo-o que não se fosse embora, enquanto o pai parecia duvidar que ele tivesse coragem de partir. Motivado pelas lágrimas da mãe e ainda pela falta de dinheiro, decidiu não sair assim precipitado, ficou mais uns dias trabalhando numa sacaria de sementes, angariou a quantia de cento e cinqüenta reais e aí se decidiu finalmente sair de casa.
O dia ainda não havia amanhecido alguns galos cantavam distante anunciando o novo dia que se aproximava, quando a van encostou enfrente sua casa o coração batia acelerado a respiração descompassada, os pensamentos fervilhavam em sua mente, dizia pra si mesmo, tenho que ir, tenho que ir, não dá pra permanecer aqui sem falar com meu pai, o rosto ainda ardia e o coração estava muito magoado, por outro lado, a mãe e a irmã, era muito difícil deixá-las, mas tinha que fazê-lo. Cabisbaixo saiu porta a fora a encostando atrás de si, sem olhar para trás e embarcou na van para o pretenso destino.
Debruçou no encosto de banco em frente ao que sentou, com a alma atormentada, as lembranças dos acontecimentos dos últimos dias, o rosto impassivo do pai, parecia ainda ouvir aquelas palavras duras, ...“seu moleque, cresça e apareça entre outras...” as lágrimas da mãe, tudo parecia como num filme que reprisava continuamente e as lágrimas mornas e amargas escorriam do seu rosto molhando o forro da poltrona, durante aquelas duas horas de viagem que pareciam uma eternidade.
Por volta das sete horas da manhã, chegou à cidade de Tangará da Serra, onde pretendia morar e as dificuldades já o esperavam, não conhecia ninguém, o dinheiro pouco, mas depois de muitas andanças, encontrou um quarto para alugar, o dinheiro que tinha foi quase a conta de pagar o aluguel, arranjou serviço de servente de pedreiro onde tinha que quebrar calçadas entre outros serviços que exigiam muito esforço físico, alimentando-se com um sanduíche, teve dia que nada comeu, pois acabou a grana, veio a receber as diárias referentes a essas atividades, só no final da semana e a partir daí as coisas amenizaram um pouco, mas por quase três meses trabalhou em construção.
Depois desse período, como havia deixado seu currículo em diversas empresas, conseguiu um emprego como entregador de bebidas, na Coca cola, trabalhou por um bom período trocando este pelo trabalho de frentista em um posto de gasolina onde se encontra até o dia de hoje, assim as coisas melhoraram em sua vida, conseguiu comprar suas coisas como fogão, geladeira e outros utensílios, fez o consórcio de uma moto, não está rico, mas tem o essencial para viver bem, no plano de vida material.
A situação sócio-econômica estava estabilizada em sua vida, mas não se sentia feliz longe da família, às vezes sentindo-se o filho injustiçado, outras o filho pródigo, seu pai foi truculento mas era o seu pai, aquele que lhe pôs no mundo e sofreu para criá-lo, esses pensamentos sempre martelando em sua mente, até que chegou o dia de ir visitar sua família, enquanto Carlos sofria distante de casa, seu pai também havia refletido sobre suas atitudes anteriores, a agressividade com a esposa e os filhos que sempre tivera sido animada pela influência do álcool, pois era dado ao uso de bebidas alcoólicas e às vezes tomava uns goles a mais, mas a partir da malfadada briga com o filho havia deixado de beber.
Neste dia decisivo “o bom filho a casa retorna”, frase que já havia ouvido em algum lugar, mas o jovem sentia-se mais como o filho pródigo, não via em si mesmo essa bondade, pois mesmo que o pai tinha errado, seu pai era humano e todos são passivos de erros, enfim não devia sentir ódio de seu próprio pai e com esses pensamentos e sentimentos de arrependimentos e de saudades, chega à casa de seus pais. A mãe e a irmã lhe abraçam afetuosamente, ambos enxugando as lágrimas conversam calorosamente, mas o pai estava ausente e só a noite retornaria.
Carlos estava cansado da viagem, e foi mais cedo para a cama antes que o pai chegasse, mas mesmo assim não conseguia dormir com aquela confusão em sua cabeça, será que o pai iria recebê-lo com alegria, ou iria ignorá-lo, de repente seu coração quase para, o esperado momento chegava, seu Roberto soube pela esposa que o filho estava em casa e antes de tudo adentrou o quarto do filho.
O jovem num esforço permaneceu de olhos fechados fingindo dormir. O pai cuidadosamente puxou a coberta e colocou sobre o rapaz e ficou por um instante afagando-lhe os cabelos, a emoção foi forte de mais, Carlos não se conteve, levantou-se e atirou nos braços do pai, pedindo-o que o perdoasse, mas o pai disse que ele que deveria pedir perdão ao filho, abraçados choraram muito, não havia palavras que expressasse melhor o perdão mútuo entre pai e filho.

Cezário Pereira da Costa

UM ABRAÇO DE PERDÃO

UM ABRAÇO DE PERDÃO

Naquela tarde de domingo, Carlos assistia ao Domingão do Faustão, confortavelmente acomodado, recostado no humilde sofá da sala de sua casa, uma pequena sala de uns nove metros quadrados, uma casinha de madeira, sem pintura, piso queimado com xadrez amarelo, no chão da sala um tapete de tricô confeccionado por sua mãe. Enquanto descansava do árduo trabalho da semana que findara, se divertia rindo bastante das coisas engraçadas que aconteciam no programa, tudo estava muito tranqüilo, quando de repente chega à sua casa, o namorado de sua irmã, que já se sentia alguém da família, com toda liberdade, até em demasia, na opinião de Carlos, se apossou do controle remoto e sem dizer nada, trocou o canal, para assistir a outro programa de preferência do rapaz.
O jovem irritou-se com a atitude do futuro cunhado, achando-a um tanto quanto mal educada e queixou-se dizendo, que ele estava assistindo já algum tempo, que o outro pelo menos deveria pedir licença para trocar o canal se assim o quisesse, nisso entra na sala o pai de Carlos, senhor Roberto e lhe disse poucas e boas, que ele não era o dono da casa para dar ordens a quem quer que fosse e enquanto ele o pai, estivesse vivo, ele é quem mandava, tomando assim as dores do futuro genro. Não se conformando apenas com a agressão verbal, desfere uma bofetada no rosto do filho.
Carlos enfrenta o pai, dizendo que não deveria ter feito o que fez, até pelo motivo, pois não havia ofendido nem mesmo em palavras grosseiras seu futuro cunhado e já se sentia um adulto para ser reprimido dessa forma, contava com dezoito anos de idade, mas seu pai continuava irredutível e ameaçou desferir outro bofete ao que o filho mandou que o pai batesse e quando o pai levantou o braço, o filho levantou também o seu e nisso o pai conteve-se abaixando o braço sem dizer palavras.
Adentrou seu quarto com o rosto ardendo, mais num misto de ódio e vergonha que de dor física, dizendo que iria embora e não mais colocaria os pés naquela casa, sua mãe chorava desesperada pedindo-o que não se fosse embora, enquanto o pai parecia duvidar que ele tivesse coragem de partir. Motivado pelas lágrimas da mãe e ainda pela falta de dinheiro, decidiu não sair assim precipitado, ficou mais uns dias trabalhando numa sacaria de sementes, angariou a quantia de cento e cinqüenta reais e aí se decidiu finalmente sair de casa.
O dia ainda não havia amanhecido alguns galos cantavam distante anunciando o novo dia que se aproximava, quando a van encostou enfrente sua casa o coração batia acelerado a respiração descompassada, os pensamentos fervilhavam em sua mente, dizia pra si mesmo, tenho que ir, tenho que ir, não dá pra permanecer aqui sem falar com meu pai, o rosto ainda ardia e o coração estava muito magoado, por outro lado, a mãe e a irmã, era muito difícil deixá-las, mas tinha que fazê-lo. Cabisbaixo saiu porta a fora a encostando atrás de si, sem olhar para trás e embarcou na van para o pretenso destino.
Debruçou no encosto de banco em frente ao que sentou, com a alma atormentada, as lembranças dos acontecimentos dos últimos dias, o rosto impassivo do pai, parecia ainda ouvir aquelas palavras duras, ...“seu moleque, cresça e apareça entre outras...” as lágrimas da mãe, tudo parecia como num filme que reprisava continuamente e as lágrimas mornas e amargas escorriam do seu rosto molhando o forro da poltrona, durante aquelas duas horas de viagem que pareciam uma eternidade.
Por volta das sete horas da manhã, chegou à cidade de Tangará da Serra, onde pretendia morar e as dificuldades já o esperavam, não conhecia ninguém, o dinheiro pouco, mas depois de muitas andanças, encontrou um quarto para alugar, o dinheiro que tinha foi quase a conta de pagar o aluguel, arranjou serviço de servente de pedreiro onde tinha que quebrar calçadas entre outros serviços que exigiam muito esforço físico, alimentando-se com um sanduíche, teve dia que nada comeu, pois acabou a grana, veio a receber as diárias referentes a essas atividades, só no final da semana e a partir daí as coisas amenizaram um pouco, mas por quase três meses trabalhou em construção.
Depois desse período, como havia deixado seu currículo em diversas empresas, conseguiu um emprego como entregador de bebidas, na Coca cola, trabalhou por um bom período trocando este pelo trabalho de frentista em um posto de gasolina onde se encontra até o dia de hoje, assim as coisas melhoraram em sua vida, conseguiu comprar suas coisas como fogão, geladeira e outros utensílios, fez o consórcio de uma moto, não está rico, mas tem o essencial para viver bem, no plano de vida material.
A situação sócio-econômica estava estabilizada em sua vida, mas não se sentia feliz longe da família, às vezes sentindo-se o filho injustiçado, outras o filho pródigo, seu pai foi truculento mas era o seu pai, aquele que lhe pôs no mundo e sofreu para criá-lo, esses pensamentos sempre martelando em sua mente, até que chegou o dia de ir visitar sua família, enquanto Carlos sofria distante de casa, seu pai também havia refletido sobre suas atitudes anteriores, a agressividade com a esposa e os filhos que sempre tivera sido animada pela influência do álcool, pois era dado ao uso de bebidas alcoólicas e às vezes tomava uns goles a mais, mas a partir da malfadada briga com o filho havia deixado de beber.
Neste dia decisivo “o bom filho a casa retorna”, frase que já havia ouvido em algum lugar, mas o jovem sentia-se mais como o filho pródigo, não via em si mesmo essa bondade, pois mesmo que o pai tinha errado, seu pai era humano e todos são passivos de erros, enfim não devia sentir ódio de seu próprio pai e com esses pensamentos e sentimentos de arrependimentos e de saudades, chega à casa de seus pais. A mãe e a irmã lhe abraçam afetuosamente, ambos enxugando as lágrimas conversam calorosamente, mas o pai estava ausente e só a noite retornaria.
Carlos estava cansado da viagem, e foi mais cedo para a cama antes que o pai chegasse, mas mesmo assim não conseguia dormir com aquela confusão em sua cabeça, será que o pai iria recebê-lo com alegria, ou iria ignorá-lo, de repente seu coração quase para, o esperado momento chegava, seu Roberto soube pela esposa que o filho estava em casa e antes de tudo adentrou o quarto do filho.
O jovem num esforço permaneceu de olhos fechados fingindo dormir. O pai cuidadosamente puxou a coberta e colocou sobre o rapaz e ficou por um instante afagando-lhe os cabelos, a emoção foi forte de mais, Carlos não se conteve, levantou-se e atirou nos braços do pai, pedindo-o que o perdoasse, mas o pai disse que ele que deveria pedir perdão ao filho, abraçados choraram muito, não havia palavras que expressasse melhor o perdão mútuo entre pai e filho.

Cezário Pereira da Costa

sexta-feira, 3 de junho de 2011

RETRATOS DO SERTÃO

RETRATOS DO SERTÃO


Num velho banco de madeira
Ou num tronco de aroeira
Um homem de meia idade
Recordando a mocidade
Que em nós perpetuaria
Em círculos posicionados
Ao redor do pai, sentados
Pela luz da lamparina
Uma chama pequenina
A escuridão diminuía


Nas noites de lua cheia
Como uma grande candeia
O luar nos alumiando
Aquela prosa escutando
Cheia de sabedoria
De um homem iletrado
Pela vida diplomado
Sua leitura de mundo
Era de um saber profundo
Que para nós transmitia





Quando a lua cor de prata
Surgia por trás das matas
Clareando a imensidão
Mas não o meu coração
Que tão aflito batia
A juventude chegava
E a flor do amor desabrochava
Aquela linda donzela
Era uma flor das mais belas
E por ela o amor nascia

Surgiu meu amor primeiro
Brincando lá no terreiro
De roda, jogando verso
Em sentimentos conversos
O amor em poesia
Sentimentos passageiros
Também o amor verdadeiro
Que marcou meu coração
São retratos do sertão
Na minha recordação
É como fotografia

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

PRECE

P R E C E
Mamãe perdoe-me, por favor, assim começo
A escrever-te estes tão singelos versos
Pois gostaria de escrever coisas bonitas
Eu não consigo me expressar neste momento
Não há palavra que traduza o sentimento
E o que se passa em minh’alma tão aflita
Sendo o amor de mãe incomparável
Se não podemos explicar o inexplicável
Amor de mãe não há palavra que o expresse
Toda homenagem à mamãe é incompleta
São muito pobres as palavras do poeta
Tudo é tão pouco pelo que mamãe merece.

Mãe é carinho, ternura amor e paz
Mamãe é tudo isso e muito mais
Mas seu valor nem todo filho reconhece
Filho se volte para o seu interior
Sua mãezinha não merece tanta dor
Filho ingrato sua mãe por ti padece
Nem sempre fui tão carinhoso com a minha
Por muitas vezes fiz chorar minha mãezinha
Voltei atrás pedi perdão arrependido
Nenhuma mãe merece nossa ingratidão
À minha mãe e a Deus peço perdão
Por mim mamãe não merecia ter sofrido











Minha mãezinha não está mais aqui
Deus a levou para juntinho de si
Mas lá do céu não desampara os filhos seus
Tornou-se estrela entre as de maior brilho
Pra iluminar os caminhos de seus filhos
E assim levar-nos ao encontro do bom Deus
Seu lindo rosto, sei que não vou beijar mais
Só Deus e eu sabemos a falta que ela faz
Mesmo chorando de saudade eu agradeço
A grande graça de um dia ter nascido
Daquela santa mãe, ser tão querido
Senhor meu Deus, tudo isso eu não mereço

O mês de maio, no seu segundo domingo
É certamente um dos dias mais lindos
Do mais belo encontro de amores
Mamães e filhos nessa troca de carinho
Faz que ela esqueça a vida e os seus espinhos
Porque mamãe, só merece muitas flores
E nesse dia de ternura tão intenso
O céu se faz aqui na terra, assim eu penso
Enquanto os anjos lá do céu à terra desce
À minha mãe não vou poder dar um presente
Nem abraçá-la e beijá-la tão contente
Mas lá do céu mamãe, receba a minha prece.

PRECE

Minha mãezinha não está mais aqui
Deus a levou para juntinho de si
Mas lá do céu não desampara os filhos seus
Tornou-se estrela entre as de maior brilho
Pra iluminar os caminhos de seus filhos
E assim levar-nos ao encontro do bom Deus
Seu lindo rosto, sei que não vou beijar mais
Só Deus e eu sabemos a falta que ela faz
Mesmo chorando de saudade eu agradeço
A grande graça de um dia ter nascido
Daquela santa mãe, ser tão querido
Senhor meu Deus, tudo isso eu não mereço

O mês de maio, no seu segundo domingo
É certamente um dos dias mais lindos
Do mais belo encontro de amores
Mamães e filhos nessa troca de carinho
Faz que ela esqueça a vida e os seus espinhos
Porque mamãe, só merece muitas flores
E nesse dia de ternura tão intenso
O céu se faz aqui na terra, assim eu penso
Enquanto os anjos lá do céu à terra desce
À minha mãe não vou poder dar um presente
Nem abraçá-la e beijá-la tão contente
Mas lá do céu mamãe, receba a minha prece.