sábado, 22 de dezembro de 2012

O DIABO É BICHO FEIO, MAS NÃO É COMO SE PINTA

Diabo é bicho horroroso
Sendo o rei da maldade,
Constrói a infelicidade
E pra isso é poderoso
E nas garras do tinhoso,
Que eu caia Deus não consinta,
Do monstro de negras tintas,
Que no bem quer por um freio,
O diabo é bicho feio,
Mas não é como se pinta.
Pois ele é sempe pintado,
Com os traços mais horríveis,
Com todas cores possíveis,
Que é no terror inspirado,
De se deixaar espantado,
Quem tem coragem distinta,
Porque não há quem não sinta,
Medo, pavor, ou receio,
O diabo é bicho feio,
Mas não é como se pinta.
Ele certamente é,
Bem pior que se imagina
Pra se opor à Lei Ddivina,
Querer destruir a fé
E por enfrentar Javé,
Lá do céu vazou de quinta
Se assim é, e que eu não minta,
Cá pra terra ele veio,
O diabo é bicho feio,
Mas não é como se pinta.
Tem os pés arredondados,
Pés de garrafa, ou de pato,
Em forma de bode, ou gato,
É também apresentado,
Cramunhão, degenerado,
A fera negra retinta,
Que de maldade é faminta,
Vive assim em nosso meio,
O diabo é bicho feio,
Mas não é como se pinta.
Um dia, um japonês,
Que tomava uma cachaça,
Na hora eu achei graça,
Do que ele disse esta vez,
Ele está entre vocês,
Disse de forma sucinta,
Disfarçado, ele nos finta,
Pra não fugirmos, eu creio,
O diabo é bicho feio,
Mas não é como se pinta.
Sempre em algo valioso,
Como uma grande riqueza,
Mulher de grande beleza,
Nos tenta assim o tinhoso,
A um romance perigoso
Que acaba na lei do trinta,
Onde vidas são extintas,
Desses truques ele é cheio,
O diabo é bicho feio,
Mas não é como se pinta.
Se porém virar o disco,
E em toda sua feiura,
É imaginável figura,
Dizer assim, eu me arrisco.
Num cordão de São Francisco,
Amarro e dou-lhe de cinta,
Para que não me desminta,
E assim digo sem rodeio
O diabo é bicho feio,
Mas não é como se pinta.

domingo, 25 de novembro de 2012

QUERIDA PIACATU DA MINHA INFÂNCIA

Querida Piacatu de minha infância,
Só as saudades de ti guardo comigo,
Daquelas vielas sem asfaltos
E aquele povo acolhedor, amigo,
Onde todos a todos se conheciam,
Ruas tranqüilas quase sem perigo,
A solidariedade de um amor fraterno,
Fazia a paz daquele povo unido.

Pacata Piacatu, de pacatos cidadãos,
Transporte coletivo a jardineira,
Serviço de táxis, as charretes,
Que assim rodavam a cidade inteira,
O preferido seu Braz, o charreteiro,
Alma tranqüila, tipo à brasileira,
Às vezes acordava ao som da buzina,
Quando cochilava em sua cadeira.

Seu Ostílio o soldado da vila,
O delegado o seu Valdevino,
Homens valentes defendendo a lei,
Mas dentro do peito um coração menino,
Seu Laurindo e seu Manoel, os repentistas
O embolador maluco, seu Faustino,
Esse engraçado, os dois no improviso,
Versos com almas e estilo nordestino.

Seu Anito tinha um velho caminhão,
Não lembro se era ford o GMC,
A sua partida era à manivela,
Fazia o motor roncar ou gemer,
Lotado de lenha ou de outras cargas,
Pelas redondezas sempre a percorrer,
Fazer fretes era o seu ganha-pão,
E nunca faltava viagem a fazer.

Tinha ele também u carro de bois,
Com uma junta de bois mansos e ensinados,
Gemia o eixo a ranger nos cocões,
Ao subir ladeiras o carro lotado,
Belos calhambeques dos anos cinqüenta,
Passavam por ele o deixando empoeirado
E o seu Anito falando com os bois,
Seguia sua estrada em passos marcados.

Lembro-me dos dois irmãos japoneses,
Que eram o Cedeó e o Takaxi,
Lá meus pais e irmão colhiam amendoim,
Eu catando baens, que muito comi,
Meu iniamigo o Jaime, brigava ou brigava,
De mal ou de bem, não o esqueci,
Mesmo estando hoje tudo diferente,
Gostaria muito de voltar ali.

Comprávamos fiado no armazém do Gregório,
Seu Anito,seu Artur, seu Laurindo e outros bons vizinhos,
O velho Baixinho,contador de estórias,
Joãozinho seu filho, nosso amiguinho,
Brincávamos de roda, salva, ou pique-esconde,
Ou ouvíamos estórias do velho Baixinho,
Da bela Piacatu de minha infância.
São tantas lembranças que as guaardo com carinho.