quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

MEUS NATAIS

Meus natais não tinham ceias 

Mas tinha missas do galo

De bicicreta de apé ou à cavalo 

A gente ia rezá

Na roça não tinha uber 

Nem táxi as veis nem ônibus 

Pra pudê a nóis levá

Nóis morava longi 

Pra pudê i di apé 

Mais isso num impidia 

Di nóis cumpri nossa fé 

Riunia um grupo bão 

Rapais moça i mininada 

Também homi i muié

Fretava um caminhão 

Qui pur perto sempre havia 

I todos nóis si amuntuava 

Ali na carroceria 

Pra cidade nóis ruvmava

Todos em grande alegria 


Era hinos tão bunitu 

Na missa a gente iscuitava 

Argum que a gente sabia 

A gente acumpanhava 

Dispois da divução 

Vinha nossa diversão 

Uma vorta nu jardim 

Vê as luis i us infeito 

Pelas ruas da cidade 

U mininu Jesuis 

Deitado numas painha 

La naquela manjedora 

Nu presépio a gente via 

Isso dentro da igreja 

Antes que a gente saia


Nóis andavsa nu jardim 

Oiando as lindas frô 

Tamem as moça bunita 

Num era bobu nem nada 

Pra passa dispercibidu 

Moças linda i perfumada

Oia va cus zoio 

Lambia ca testa

Ditado ca genti tinha 

Num era pra nosso bicu

Quelas princesa incantada

Dispois di um certo tempo

Pra casa a genti vortava

Filiz alegri cantando

Era noite di Natal 

Muito a genti si alegrava


Nu dia 25

A festa era di dia

Era grandi comilança

Na casa di arguem da famia 

Juntava principalmente 

 Com todos primus i primas

Nossos pais tios i tias

Ais veis era in nossa casa

Ou casa di uma tia

Tinha tamem muito vinho 

I tamem muita filia

Com guerra di macarrão 

A gente si divertia.


Cezário Pardo 

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